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Doenças
Microalbuminuria: um sinal de alerta para a saúde dos rins
A microalbuminúria se refere à presença de quantidades pequenas, mas anormais, da proteína albumina na urina
Por Dra. Clarisse Pontes
Publicado em 06/06/2025, às 13:49 - Atualizado em 29/10/2025, às 14:18

Muitas vezes, só lembramos da saúde dos nossos rins quando algo já não vai bem, mas há maneiras de checar se eles funcionam corretamente antes de eventuais sintomas. Uma delas é a pesquisa de microalbuminúria na urina, exame capaz de detectar quantidades mínimas da proteína albumina que não deveriam estar ali. Ele é um dos primeiros indícios de sobrecarga ou lesão nos filtros renais, e acaba sendo um achado especialmente relevante para quem convive com diabetes ou pressão alta.
Neste artigo, você vai ler:
O que é microalbuminúria?
A microalbuminúria (ou proteinúria) se refere à presença de quantidades pequenas, mas anormais, da proteína albumina na urina. Normalmente, os rins saudáveis impedem que proteínas maiores (como a albumina) passem do sangue para a urina; apenas resíduos e excesso de líquido são eliminados.
Mas, quando os filtros renais (chamados glomérulos) começam a sofrer danos, eles perdem parte dessa capacidade de filtragem seletiva, permitindo que pequenas quantidades de albumina “escapem” e sejam detectadas no exame de urina. Essa detecção de albumina em níveis ligeiramente elevados é considerada um marcador precoce de lesão renal (nefropatia).
Os valores de microalbuminúria variam entre 30 e 300 mg/dia (ou 20 a 200 mcg/min). Esses níveis são menores do que os detectados pelos testes de urina, que só se tornam positivos quando a excreção de proteína ultrapassa 300 a 500 mg/dia.
Microalbuminúria isolada: quando ocorre?
A microalbuminúria isolada ocorre quando há uma pequena quantidade de albumina na urina, que está ligeiramente acima dos níveis normais, mas não é suficiente para ser classificada como proteinúria. Trata-se de um indicativo precoce de possível dano nos rins e pode ser um sinal de doenças renais, especialmente em pessoas com diabetes ou outras condições de saúde relacionadas.
Causas da microalbuminúria
Não há uma única causa para a microalbuminúria. Entre os diversos fatores, os principais são quadros de diabetes (tipo 1 ou tipo 2), pressão alta e glomerulonefrite, condições que que afetam os glomérulos, os filtros dos rins. A obesidade também é uma causa relevante, pois sobrecarrega os rins e pode prejudicar sua função.
Além disso, exercícios físicos intensos, febre e desidratação podem causar um aumento momentâneo na albumina na urina, mas não indicam necessariamente problemas renais.
Sintomas associados à microalbuminúria
A microalbuminúria, na maioria das vezes, não apresenta sintomas, porque os níveis de albumina na urina são baixos. Porém, se a quantidade de albumina aumentar, é possível notar a urina ficar espumosa.
Agora, em casos mais graves, quando os rins estão bem danificados, é possível perceber inchaço no corpo, especialmente em áreas como tornozelos, mãos, barriga ou rosto.
Sendo assim, como se trata de uma condição que normalmente não apresenta sinais óbvios, é essencial fazer exames regulares, para detectar a doença precocemente, principalmente se o indivíduo tiver diabetes, pressão alta ou obesidade.
Exame de microalbuminúria: como é feito?
A detecção da microalbuminúria é feite por um teste chamado de Razão albumina/creatinina (RCA). Nele, é realizada a comparação da quantidade de albumina, uma proteína do sangue, com a creatinina, um resíduo produzido pelos músculos. Para realizar o teste, basta coletar uma amostra de urina, preferencialmente pela manhã, e enviá-la ao laboratório para análise.
Se o exame mostrar um aumento moderado na RCA, o médico pode solicitar a repetição do teste após três meses para verificar se o aumento é constante ou temporário. Como os níveis de RCA podem variar por diversos motivos, é importante realizar exames de rotina.
O médico usará os resultados do teste, assim como os de outros exames de urina (urinálise) – como o Exame de Urina Tipo 1 – para avaliar se há sinais de outras doenças renais.
Microalbuminúria alta ou baixa: o que significa?
A microalbuminúria baixa, com valores abaixo de 30 mg, é considerada dentro dos limites normais, indicando que não há presença significativa de albumina na urina e, portanto, não há sinais de danos renais.
Microalbuminúria alta, com valores entre 30 e 300 mg, indica a presença de uma quantidade moderada de albumina na urina, o que pode ser um sinal de problemas nos rins. Esse intervalo é utilizado para classificar a microalbuminúria, que é uma forma inicial de lesão renal.
Já valores acima de 300 mg indicam proteinúria ou macroalbuminúria, que pode indicar um estágio mais avançado de comprometimento renal.
Possíveis complicações
A presença de albumina na urina é um importante indicador de risco para o surgimento de complicações. Entre as principais, podemos destacar falência renal, doenças cardiovasculares (como insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio ou derrame) ou ainda a redução da expectativa de vida, com risco de morte precoce.
Microalbuminúria tem cura? Tratamentos disponíveis
A microalbuminúria, por si só, não tem uma cura definitiva, mas é possível controlar a condição e evitar que ela piore. O tratamento foca em prevenir danos adicionais aos rins e reduzir o risco de outras complicações, como doenças cardiovasculares.
Se a microalbuminúria for causada por uma doença renal crônica, o médico acompanhará sua evolução regularmente, com exames de urina anuais para verificar se há piora ou complicações. O principal objetivo do tratamento é retardar a progressão da doença, controlar fatores de risco como hipertensão e diabetes, e prevenir complicações, adiando ou evitando a necessidade de terapias como diálise ou transplante renal.
Para controlar a pressão arterial e proteger os rins, o médico pode prescrever inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) ou bloqueadores do receptor da angiotensina II (BRA). Se a microalbuminúria for causada por diabetes, esses medicamentos podem ser indicados mesmo que o paciente não tenha pressão alta, pois ajudam a evitar danos nos rins.
Além disso, se houver risco de complicações cardíacas, o médico pode prescrever estatinas, que ajudam a reduzir o colesterol e diminuem o risco de ataque cardíaco e derrame. Outro medicamento comum para quem tem diabetes ou níveis elevados de albumina na urina é o inibidor de SGLT2, que protege os rins e reduz o risco de doenças cardiovasculares.
Contudo, não são apenas os medicamentos que vão cooperar para o tratamento. Adotar mudanças no estilo de vida, como manter uma alimentação saudável, praticar exercícios regularmente e controlar o peso, são fundamentais.
Qual médico procurar em casos de microalbuminúria?
Em casos de microalbuminúria, o ideal é procurar um nefrologista, especialista em doenças renais. Se a condição estiver relacionada a diabetes ou hipertensão, um endocrinologista ou um cardiologista também podem contribuir para o tratamento.
Fonte: Dra. Clarisse Ponte – Endocrinologista
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