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Caxumba: entenda como prevenir a doença

Condição pode ser facilmente prevenida por meio da vacinação

Por Dra. Maria Isabel de Moraes Pinto

Publicado em 29/07/2025, às 17:53 - Atualizado em 19/09/2025, às 14:06

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caxumba

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Também chamada de papeira, a caxumba ou parotidite epidêmica é uma doença viral que vem se tornando menos comum no Brasil desde que a vacinação contra a doença foi introduzida no Calendário Nacional de Vacinação, em 1992. A partir de agora, saiba mais sobre a doença, formas de transmissão e tratamento.   

O que é caxumba?

A caxumba é uma infecção viral aguda que pode afetar qualquer tecido glandular do corpo, sendo mais comum atingir as glândulas parótidas e também as glândulas submandibulares e sublinguais, que produzem saliva.   

Embora a condição possa afetar pessoas de todas as faixas etárias, é mais prevalente em crianças e adolescentes não vacinados. 

Caxumba em crianças 

Em crianças, a caxumba costuma se manifestar de forma mais leve do que em adolescentes e adultos. O sintoma mais conhecido é o inchaço doloroso das glândulas salivares, localizadas na região da bochecha e da mandíbula. Esse inchaço pode acontecer em um ou nos dois lados do rosto. 

Outros sintomas comuns são: 

  • Febre. 
  • Dor de cabeça ou dores musculares. 
  • Sensação de cansaço e fraqueza. 
  • Perda de apetite. 
  • Dor ao mastigar e engolir. 

Embora as complicações sejam menos frequentes em crianças, elas podem acontecer. Por isso, o acompanhamento médico é essencial para garantir uma recuperação tranquila e segura.

Caxumba em adultos 

Os sintomas nos adultos são parecidos com os apresentados pelas crianças, mas o risco de desenvolver complicações é consideravelmente maior, especialmente após a puberdade. 

A principal preocupação são as complicações que a doença pode causar. Entre elas, a inflamação dos testículos (orquite) pode acontecer em homens que contraem caxumba após a puberdade. A orquite causa dor e inchaço nos testículos e, em casos raros, pode afetar a fertilidade. 

Mulheres adultas também podem ter complicações. A inflamação dos ovários (ooforite), embora mais rara, causa dor abdominal, febre e vômitos.

Outras complicações graves, mas menos comuns, e que podem acometer todas as faixas etárias são: 

  •  Meningite: Uma infecção das membranas que revestem o cérebro. 
  • Encefalite: Uma infecção do próprio cérebro. 
  • Surdez: A perda de audição, que pode ser temporária ou permanente. 

A vacinação é fundamental para proteger toda a população contra a caxumba e suas possíveis consequências. 

O que causa caxumba?  

A caxumba é causada por um vírus do gênero Paramyxovírus. A transmissão do vírus da caxumba ocorre por meio das gotículas respiratórias, ou por contato direto com saliva de pessoas infectadas.  

O período de incubação do vírus – intervalo entre o momento da infecção e o aparecimento dos sintomas – é de 12 a 25 dias.

Já a capacidade de transmitir o vírus da caxumba abrange um período que vai de 6 a 7 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos até 5 dias após o surgimento da parotidite (inflamação das glândulas parótidas).   

Caxumba é contagiosa?

Sim, a caxumba é uma doença muito contagiosa. O vírus se transmite facilmente de uma pessoa para outra, o que reforça a importância de medidas de prevenção e isolamento.

Como já mencionado, a principal forma de transmissão é pelo ar, quando uma pessoa infectada tosse ou espirra, liberando gotículas respiratórias. O contato direto com a saliva da pessoa doente também transmite o vírus – o que pode acontecer ao compartilhar copos, talheres ou outros objetos.

Uma pessoa com caxumba pode transmitir o vírus antes mesmo de saber que está doente, alguns dias antes do inchaço das glândulas salivares. Mas o contágio ainda pode acontecer por cerca de cinco dias após o surgimento desse sintoma.  

Por isso, o isolamento do paciente durante esse período é fundamental para evitar novos casos. 

Quais são os sintomas de caxumba? 

Os principais sintomas da caxumba são:   

  • Dor ao mastigar ou engolir;  
  • Fraqueza;  
  • Aumento das glândulas salivares; 
  • Perda de apetite;  
  • Dor de cabeça.   

 Sintomas iniciais  

Sintomas como febre, dores musculares, perda de apetite, fraqueza e dor de cabeça podem preceder a dor e o aumento das glândulas salivares. 

Complicações da caxumba

A grande maioria dos casos de caxumba apresenta uma recuperação gradual, sem complicações importantes, geralmente em um período de até duas semanas. No entanto, em alguns casos a doença pode evoluir para:   

  • Meningite asséptica: é o nome dado à meningite não bacteriana. O tratamento é predominantemente sintomático, ou seja, focado nos sintomas. O prognóstico costuma ser bom, porém há o risco de desenvolvimento de sequelas permanentes.  
  • Encefalite: trata-se de uma inflamação no cérebro causada pelo vírus, levando a sintomas como sonolência e convulsões. O tratamento deve ser feito no ambiente hospitalar, às vezes com necessidade de administração de medicações anticonvulsivantes.  
  • Perda auditiva: costuma ser transitória, mas em alguns casos pode ser permanente.   
  • Orquite: trata-se de uma inflamação nos testículos, causando dor e inchaço testicular. Em homens não vacinados, a incidência dessa complicação pode chegar a 30% dos casos de caxumba. 

A incidência de todas essas complicações é reduzida em indivíduos vacinados, quando comparado a não vacinados. 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico ocorre por meio de avaliação clínica e exame físico realizados pelo médico. É importante também ser avaliada a história epidemiológica, caso o paciente tenha tido contato recente com alguém doente. 

Na suspeita clínica, a coleta de sangue do paciente costuma ser realizada para verificar se há elevação da enzima conhecida como amilase e para realização de sorologia para confirmar o diagnóstico. 

Qual é o tratamento para caxumba?  

Não existe tratamento específico para caxumba; recomenda-se que sejam feitas medicações sintomáticas caso necessário. Além disso, alguns cuidados podem ser tomados para diminuir o desconforto e complicações:   

  • Beber bastante água;  
  • Adequar a dieta, evitando alimentos ácidos, que podem causar desconforto, náuseas e até vômitos;  
  • Manter uma boa higiene bucal;  
  • Ficar em repouso;  
  • Medicação para alívio da dor e controle da temperatura.

Como prevenir a doença? 

A vacinação é a melhor forma de prevenir a caxumba e garante proteção vitalícia, ou seja, para a vida toda. 

A vacina que previne a caxumba é a vacina tríplice viral. A imunização é indicada a partir dos 12 meses de vida e é capaz de prevenir três doenças: sarampo, caxumba e rubéola.   

No SUS, para indivíduos de até 29 anos de idade, são recomendadas duas doses da vacina tríplice viral. Indivíduos de 30 a 59 anos de idade não vacinados anteriormente devem receber uma dose da vacina. No sistema privado, recomendam-se duas doses da vacina tríplice viral para pessoas de até 59 anos de idade não vacinadas. 

Vale lembrar que, por se tratar de vacina viva atenuada, a vacina tríplice viral é contraindicada para gestantes e pessoas com imunossupressão grave. 

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A vacina tríplice viral protege contra quais doenças? 

A vacina tríplice viral oferece proteção contra três doenças infecciosas: o sarampo, a caxumba e a rubéola.   

Sarampo: doença viral muito contagiosa e grave. Causa sintomas como febre alta, tosse, coriza e manchas vermelhas na pele. Pode levar a complicações graves, como pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro), que podem deixar sequelas permanentes ou até mesmo levar à morte. 

Caxumba: infecção viral que causa inchaço doloroso nas glândulas salivares. Embora seja frequentemente associada a esse sintoma, a caxumba também pode levar a complicações como a meningite e, em adultos, a inflamação dos testículos (orquite) ou dos ovários (ooforite). 

Rubéola: doença viral que geralmente causa sintomas mais leves, como febre e manchas na pele. Quando acomete gestantes, representa um grande perigo. Se uma mulher grávida for infectada, o vírus pode causar malformações graves no feto, resultando na Síndrome da Rubéola Congênita. 

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